Trava de alta com calls (call debit spread): como aproveitar uma alta pagando menos
Por Mario V. P. · Atualizado em 31/10/2026
Uma trava de alta com calls consiste em comprar uma call e vender outra de strike mais alto, com o mesmo vencimento. Custa menos que a call sozinha e a perda máxima é o valor pago, em troca de limitar o ganho. Na MTO abrimos com prazo longo em boas empresas e encerramos assim que há um bom lucro.
O que é um call debit spread (trava de alta com calls)
Um call debit spread (também chamado de bull call spread ou trava de alta com calls) são duas calls sobre a mesma ação e com o mesmo vencimento:
- Compramos uma call, a que nos dá o lucro se a ação sobe.
- Vendemos outra call de strike mais alto, que nos paga um prêmio e barateia a operação.
Pagamos a diferença entre os dois prêmios (por isso é “a débito”). Esse valor é a perda máxima. Em troca de baratear a entrada, aceitamos um limite: não ganhamos além do strike da call vendida.
Um exemplo com números redondos
Com uma ação a $ 100, comprar só a call 100 custa $ 8 por ação: $ 800 por contrato. Se além disso vendermos a call 110 por $ 4, a operação custa $ 4: $ 400, metade.
| Só a call 100 | Call debit spread 100/110 | |
|---|---|---|
| Custo e perda máxima | $ 800 | $ 400 |
| Lucro máximo | Ilimitado | $ 600 ($ 10 de largura − $ 4 pagos) |
| Break-even no vencimento | $ 108 | $ 104 |
| Passagem do tempo | Joga contra | Joga menos contra: a call vendida também perde valor |
Se a ação terminar em $ 110 ou mais, o spread vale $ 10 e ganhamos $ 600. Mesmo que suba a $ 150, não ganhamos mais: a call vendida compensa o que a comprada ganha acima de $ 110. Você pode conferir o break-even e o valor de cada perna na nossa calculadora de opções.
Como usamos na MTO
É provavelmente a estratégia de alta que mais usamos. Nossa forma de montá-la tem três características:
1. Boas empresas e bastante tempo
Abrimos em empresas com boas perspectivas e com vencimentos longos, muitas vezes de um ou dois anos. Assim damos tempo para a ação fazer o que esperamos e a passagem dos dias pesa pouco.
2. Strikes que equilibrem risco e lucro
Não existe fórmula mágica: testamos combinações até que o lucro possível compense claramente o que pagamos, e verificamos se os strikes fazem sentido com os suportes, resistências e projeções do gráfico. Quanto mais perto do preço, mais pagamos, mas antes começamos a ganhar se a ação sobe.
3. Encerrar assim que há um bom lucro
Não esperamos o vencimento. Se a ação sobe e o spread ganha valor, encerramos e pronto. Muitas dessas operações duram dias ou poucas semanas, mesmo com o vencimento a mais de um ano.
Um caso real: MSFT 550/600
Em 9 de abril de 2026 abrimos, na conta de $ 10.000, um call debit spread em Microsoft com vencimento em março de 2027:
- Compramos a call 550 por $ 5,91 e vendemos a call 600 por $ 3,31: pagamos $ 2,60 por ação ($ 260), que também era a perda máxima.
- Em 30 de julho encerramos as duas pernas: vendemos a call 550 por $ 18,14 e recompramos a call 600 por $ 10,63. O spread valia $ 7,51.
- Resultado: +$ 488,17 líquidos de custos, quase o dobro do investido, sem esperar o vencimento.
Nem todas saem assim: se a ação não sobe, o spread perde valor e podemos perder o que pagamos. Por isso o próximo ponto é importante.
O que fazemos se a operação for contra
Se a ação cai, a call que vendemos fica muito mais barata. Quando recomprá-la custa muito pouco (alguns poucos dólares por contrato), nós a encerramos:
- Tiramos a parte que limitava a alta e ficamos só com a call comprada.
- Se a ação continua caindo, a perda é quase a mesma que já tínhamos: só acrescentamos o pouco que pagamos para encerrar a vendida.
- Se a ação se recupera, ganhamos sem teto com a call comprada… ou podemos vender outra call mais acima para recuperar parte do custo e voltar a ter um spread.
Ou seja: arriscamos muito pouco a mais em troca de muito potencial. Por exemplo, com o spread 100/110 de antes, se a ação cai a $ 90 e a call 110 vale $ 0,15, encerrá-la custa $ 15: a perda máxima passa de $ 400 para $ 415, mas, se a ação voltar a $ 115, a call 100 sozinha vale $ 15 e já não estamos limitados a $ 10.
E se achamos que vai cair
A mesma ideia ao contrário é o put debit spread (trava de baixa com puts): compramos uma put e vendemos outra de strike mais baixo. Usamos quando esperamos uma queda até uma zona concreta.
Se quiser revisar os spreads verticais do zero, o Mario os explica no seu tutorial sobre vertical spreads (em espanhol).
Perguntas frequentes
Qual é a perda máxima de um call debit spread?
O que você paga ao abri-lo: o prêmio da call comprada menos o da call vendida, vezes 100 ações por contrato. Ela é conhecida desde o primeiro momento.
É preciso esperar o vencimento para encerrar?
Não. O spread muda de valor todos os dias; na MTO encerramos assim que dá um bom lucro, muitas vezes em dias ou semanas, mesmo que vença só daqui a um ou dois anos.
O que acontece se eu encerrar a call vendida e a ação continuar caindo?
Você perde quase o mesmo que já ia perder, mais o pouco que pagou para encerrá-la. Por isso só a encerramos quando custa muito pouco: arriscamos alguns dólares a mais em troca de não ter teto se a ação se recuperar.
Por que usar vencimentos tão longos?
Porque dão tempo para a ação fazer o movimento esperado e a passagem dos dias pesa menos. Além disso, a call vendida compensa parte do prêmio extra que custa comprar tanto tempo.
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